Três anéis
Kit de sobrevivência
Não é uma mochila de selva. É o que sai no bolso, o que sai se a casa falha, e o que fica se você fica.
Se o anel do meio pesa como mudança, você não sai. Se o de dentro parece arsenal, você é palco na rua. Sem molle, sem patch, sem faca de vitrine. Ferramenta só a legal. A lista para marcar, anel por anel, está em Kits. O kit de primeiros socorros é outra caixa, já escrita.
Áudio
Anel um — o bolso
O que sai toda manhã e cabe no bolso ou na bolsa comum. Documento com foto. Dinheiro miúdo, não um maço. Um cartão. Telefone carregado. Luz pequena que não é a lanterna do celular. Remédio das próximas 24 horas. Chave. Um curativo e um lenço. Se não cabe, não é do dia. O erro é um cinto de operador na padaria. A rua já te descreveu.
Anel dois — setenta e duas horas
A bolsa na porta, para sair ou para esperar três dias se o prédio manda descer. Parece de viagem. Dois a três litros de água. Um jeito de tratar mais: filtro, pastilha ou o plano de ferver, já ensaiado. Comida de três dias que se come sem fogo e que a boca já aceita. Capa, manta, meias secas, um jogo de roupa da rua em que você está. Lanterna e pilha que não seja a do telefone. Cópias de documento e contatos no papel. Dinheiro. Gaze, luva e o remédio da casa. Power bank. Mapa de papel. Higiene mínima e um saco de lixo. Rádio a pilha, se couber. O ponto de encontro da família numa linha, não num aplicativo.
Anel três — a casa, se você fica
Ficar é o plano A na maior parte das terças brasileiras. Água: três litros por pessoa por dia, catorze dias antes de sonhar com noventa. Mais no calor. Comida que a casa já come, com giro, não lata anônima. Um jeito de cozinhar sem luz, se for seguro e você sabe fechar o gás. Lanterna, pilha, power bank. Remédio de duas semanas. Sabão, higiene, saco de lixo. Dinheiro miúdo. Saber fechar água, luz e gás. Pasta de documentos. Rádio a pilha. Ração do animal, se há animal. O plano numa folha na geladeira: ponto, prazo, um contato fora da cidade. A despensa que ninguém gira não é kit. É peso.
O que o kit recusa
Não é bunker na janela. Não é foto da mochila. Não é arma como identidade, nem receita de uso. Não é comida que ninguém da casa toca. Não é mapa só no celular: GPS anda sem rede, o desenho da rua não. Não é dezenas de ferramentas que você nunca abriu. O celular é o quarto item. Bússola de papel e isqueiro, se você vai para fora da cidade, vêm antes do aplicativo. O kit de socorro entra dentro deste, não no lugar dele.
A terça do kit
Uma vez por mês, abra a bolsa. A água do carro no calor se troca. A pilha se testa. O remédio que venceu sai. Vista a mochila e caminhe até a esquina. Se doer o ombro, tirou coisa. Se você não acha o documento no escuro, a bolsa mentiu. Quem mora com você tem de saber onde está e o que não se discute na hora de sair. O ensaio é este: uma noite sem luz, uma rota a pé, a bolsa no lugar. Sem plateia.
Marcar a lista-mãeA bolsa de 72 horasA bolsa de 72 horas, em detalheO bolsoA casa, catorze diasA caixa de socorros